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Minimal Packaging by Antrepo

Aloha!

Embalagens. Elas tem o papel de armazenar, proteger e conservar o que detém, mas no pós-guerra, passaram a ter novas atribuições, como informar e, principalmente, seduzir.

O design de embalagens também evoluiu, desde os processos de produção até em suas artes visuais. Embalagens que, como outros elementos da cultura visual, são próprios de cada época, podemser usadas como verdadeiros calendários, contando diversas histórias de seu tempo.

Um movimento visual que temos percebido ultimamente é a “moda” do minimalismo (por favor, não quero entrar em méritos históricos). Além de logotipos, como vimos do Starbucks dias atrás, dezenas de designers estão fazendo cartazes de filmes e séries de forma mais simples possível. Mas até agora não tinhamos visto nada relacionado a embalagens. Bom, até agora.

A consultoria em design Antrepo, da Turquia, famosa pelos saleiros em forma de pilha e pelo viés minimalista de seus trabalhos, acaba de lançar alguns estudos sobre a simplificação de embalagens. Dá uma olhada.

durex_antrepo

toffifee_antrepo

schwepees_antrepo

red_bull_antrepo

pringles_antrepo

nutella_antrepo

nesquick_antrepo

mrmuscle_antrepo

lindt_antrepo

corn_flakes_antrepo

Segundo o escritório, esse é um exercício de como marcas internacionais ficariam com embalagens sem elementos, segundo eles, desnecessários. Para cada embalagem foram desenhadas duas novas versões, uma com menos elementos e outra com o minimalismo ao extremo. Também podem ser visto como uma versão intermediária e uma minimal.

Compartilho muitas das percepções do designer Aegir Hallmundur, quando diz que a versão minimal deu para alguns produtos um ar de premium enquanto outros ficaram com cara de versão básica, ou de economia, que são so casos de Corn Flakes e Nesquick, respectivamente.

Algo interessante de se pensar também é no funcionamento ou não dessa embalagens. Quero dizer, se vão cumprir um de seus papeis principais: informar e vender.

Algo comentado também pelo Aegir Hallmundur é o caso do Mr. Muscle. Na embalagem original fica claro que o produto é para limpar vidraças e janelas em geral, sem a necessidade de ler qualquer informação. Claro que também devemos levar com conta que quem sempre compra o produto não lê mais as informações, somente procura pela marca que deseja. Nesse segundo caso, a versão minimal manda bem. Contudo, a meus olhos, a versão intermediária executa melhor o papel de simplificação da embalagem, por um simples fato: mantém o ‘mascote’ da marca, personagem principal em todos os comerciais.

Sobre o Nesquick, como já comentamos, é o caso onde o mínimo se torna pobre. Sem dúvida nenhuma qualquer redesign desse tipo para essa embalagem custaria alguns estudos a mais para retirar elementos, simplificar o que ficar e não ter cara de produto basicão, ou “sem marca”.

Tenho a mesma leitura da Pringles. A versão intermediária ficou muito boa: o logo foi intocado, manteve os letterings que falam do sabor em questão e saiu as ilustrações da batata. Acredito que essa versão funcionaria muito bem, pois já se tem a diferenciação de sabores na cor das embalagens.

Algo bacana é que o pessoal a Antrepo postou algumas das referências que usaram para esse estudo, e uma delas foi um video feito há muito anos que eu vi na época mas nem me lembrava dele. É fantástico e o nome já denuncia o conteudo: Microsoft iPod.

A embalagem é uma extensão do comportamento da marca. Ela é a voz da corporação e do produto que fala diretamente ao consumidor.

por Daniel Campos


Comentários

19 Respostas to “Minimal Packaging by Antrepo”

Rogerio Fratin - 06.01.2011

Olá a todos!
Bem… serei meio do contra. Acho que “esqueceram” o design de lado e saíram aplicando a mesma fórmula em todas as embalagens. É sempre assim:

1. Mostre o original
2. Retire as imagens e os ornamentos, deixe só o logo
3. Tire todo o resto e aplique o logo monocromático.

Não seria melhor esses estudos mais voltados à marca e a realidade dos produtos? Pra mim fica quase tudo com cara de “falo que é minimalista porque tive preguiça-com-solução-White-Album-dos-Beatles”.
Onde seria o limite entre o minimalismo e essa falta de projeto?
[ ]s!
Rogério Fratin

Mauício - 06.01.2011

Olha, tirando um ou dois modelos que poderiam ter um conceito legal por trás, como nas embalagens de vidro, por exemplo, o resto ficou sem sentido. O cara simplesmente desligou todos os layers do photoshop, só deixou o “olinho” da marca ligado e tá falando que é design minimalista?? Como vc mesmo observou, fica pobre né? Falta projeto

Guilherme Ribeiro - 06.01.2011

Como eu compartilho isso?
É muito bom…

Mas cadê os botões?

Vinícius Silva - 07.01.2011

Daniel, tudo bom.
Sem sombra de dúvidas o minimalismo dá a uma embalagem um ar de elegância e limpeza. Mas quando se tem em mãos uma marca que tem um nome no mercado que está impregnado na cabeça das pessoas. Como é o caso da maioria das marcas aqui mostradas.
Mas agora a pergunta é, o minimalismo seria bem aplicado em uma marca que tem pouco tempo no mercado e que ainda não possui uma relação ativa com seus usuários?
E as informações principais? As cores que constituem a identidade da marca?
Ou seja, como você mesmo disse, onde está o seu papel principal de informar e vender?
Resumindo, o minimalismo para uma marca com tempo de estrada no meu ponto de vista é super necessário, mais para uma novata, não é viável.
Ótimo post Daniel, abração.

Daniel Campos - 07.01.2011

Ao meu brother Rogério:

Repetir a mesma formula? Com certeza.
Foi exatamente isso que eles fizeram. Contudo devemos pontuar duas questões:

1 – No post do blog deles onde eles falam sobre esse estudo, eles terminam o texto dizendo:


P.S. This project is only a design practice for showing minimal feeling of some international samples. It is an article about unnecessary items on the global brands, any of them, second or third variations are not new packaging proposals!

(Trocado em miudos)

Esse é só um projeto para vermos com embalagens de marcas internacionais funcionariam com um visual minimalista. Isso é sobre itens desnecessários em marcas globais. Ambas as versões de estudo não são novas propostas.

Ou seja, o estúdio deixou claro que não se tratava de novas propóstas mas sim de um estudo. Somente.

2 – Mesmo eles tendo aplicado uma mesma solução a todas as embalagens, num dos casos fica nítido que não foi algo feito com Actions do PS: olhe as embalagens de Schweppes. Ali tem um problema no lettering que é inacreditavel, onde ele fica praticamente ilegível.

Nos dois estudos que o Antrepo fez, eles melhoraram a forma como o letering é colocado na garrafa.

O mesmo acontece com RedBull e Toffifee, mas nesse caso os logos são levemente diminuidos.

O que estou querendo falar é que, apesar disso ter sido um exercício igual a todas as embalagens e do estúdio ter deixado isso claro, não podemos achar que não houve um “comportamento projetual” por parte deles. ;)

Que acha? Viajei muito?

Rodrigo Teixeira - 07.01.2011

Eu entendi a proposta mais pelo que o Daniel falou.
Na minha percepção, esse exercício é uma prova de fogo para as marcas. Acho interessante saber se uma marca sobrevive, e percebida (mesmo que com menos intensidade) e reconhecida quando levada ao extremo da simplicidade.
Várias marcas da lista permanecem fortes mesmo depois da guilhotinada (como o Corn Flakes, Red Bull e nutella) outras (como Schweppes, e na minha opinião, o Nesquick) perdem força, precisam de mais elementos.

Bem interessante. Talvez quando for desenhar uma marca eu faça exercícios como esse, mesmo que não vá usar.

abs a todos!

Carol Hoffmann - 07.01.2011

Oi gente,

Concordo com o Daniel que este se trata apenas de um exercício mas também concordo com o Rogério em aproveitar o assunto para levantar a questão do minimalismo como tendência fácil de ser seguida…

Muitos designers se apropriam de tendências em seus projetos e se esquecem da real necessidade do cliente e do briefing em questão.

Não considero o minimalismo adequado a todos os tipos de embalagens ou layouts… existem necessidades específicas a serem atendidas em cada tipo de projeto dedicados a público alvos diferentes. O minimalismo funciona quando a marca teve um sólido trabalho de Branding e tem seu posicionamento bem definido na mente do consumidor (vida Starbucks) e a continuidade do trabalho depende de um gerenciamento da marca eficiente e competente, sempre de acordo com as metas estratégicas.

Já trabalhei em projetos de embalagem no qual o minimalismo não funcionaria, pois frequentemente é associado a produtos de preço elevado (onde o público tem bastante conhecimento do produto e marca e dispensa muitas descrições)

Este é um ótimo tema para debate :-) )

Abs,
Carol Hoffmann

abc - 07.01.2011

Olha ai pessoal da abcDesign que cuida do site!

Luiz Seman - 07.01.2011

Essa proposta poderia ir mais fundo, oferecendo uma redução nos custos de produção das embalagens. Houve redução de custos nos casos da Schweppes, Red Bull, Nutella, Nesquick, Mr Nuscle e Lindt; as demais teriam custos inalterados. Redução de custos, como todos sabem, são fatores que motivam empresários a fazerem mudanças. No aspecto do design, vale só para marcas com forte posicionamento.

Daniel Machado - 07.01.2011

Eu ia comentar, mas acho que a Carol Hoffman já deixou bem claro! Eu acho que o minimalismo é o caminho, mas eu não posso de forma alguma só criar o que eu gosto, acho também que este conceito funciona melhor lá fora, aqui no Brasil num rola muito!

abc - 07.01.2011

Por que acha isso Daniel? (não funcionar aqui no Brasil)

Rogerio Fratin - 07.01.2011

Aê, minha gente! Assim que é bom, né? O pessoal opinando, discutindo…
Bem, Daniel, bom ponto que você levantou sobre o texto no site dos caras, eu não tinha me atentado a isso. Quanto ao design de embalagem eu questiono mais: O que eles estão fazendo aí como estudo é um redesenho minimalista do rótulo ou da embalagem em si? Projetualmente as embalagens nada mudaram. Não estão ergonomicamente melhoradas e nem mais fáceis de guardar, expor, nada. E enquanto estudo (que é quase algo experimental e não tem o cliente dando pitaco) tudo poderia ser estudado, não somente a aplicação do logo maior e monochrome.
Bora continuar essa “peleja” (no ótimo sentido, claro!) que tá bacana demais!
Abraços a todos!

Daniel Machado - 07.01.2011

porque a massa não tem opinião crítica sobre nada! aceitam tudo que se coloca em uma prateleira. como o exemplo do logo do Starbucks, ouvi um monte de gente falando que não gostou, mas como assim não gostou? se não gostou é porque já não gostava antes, foi feito a mesma coisa que ai em cima, foi feita uma limpeza e tirado o que não era mais necessário. acho que num funciona muito aqui porque as pessoas ainda tem aquele veredicto de achar que quanto mais cores mais splashs e mais e mais e mais, chamam a atenção. tudo que é limpo é uma tendência mais de fora do que daqui, o design brasileiro pra mim é muito cópia do norte americano, só agora que a gente ta pegando outras influências.

gustavo nering - 07.01.2011

Não acho que não funcione no Brasil, mas quase não existe no supermercado (onde habitam todas as embalagens deste post).

No supermercado não vejo muito espaço pra uma embalagem “Mínima”, ainda mais pela descartabilidade dos prudutos (você dificilmente compra algo que dure para sempre (um dos valores que o Minimal carrega).

E sublinho o comentário do Rogério Fratin, as embalagens continuam as mesmas, esse estudo é meio fuleiro!

Daniel Machado - 07.01.2011

Claro que não! Ainda mais em supermercados tão desorganizados quanto os produtos que eles vendem! Mas nem é só o mercado é o público, isso é fato!

Paulo - 07.01.2011

Achei muito interessante as propostas. Acredito que o bom design é aquele que é construído com poucos elementos e palavras e mesmo assim consegue chegar a um resultado surpreendente. Mas não podemos esquecer que o trabalho é bem desafiador.

Sempre vale a pena fugir do normal.

Vinícius Silva - 07.01.2011

Opa, Boa Tarde galera.
Concordo com o Daniel Machado quando diz, “acho também que este conceito funciona melhor lá fora, aqui no Brasil num rola muito!”

Os brasileiros (consumidores) não estão acostumados com este conceito de limpeza nas embalagens.
E lembrando que minimalismo é o que alguns escritórios já vem fazendo em seus Redesigns. Tirando elementos que trazem peso e compondo um Lettering mais clean. Como a Ana Couto e Fred Gelli da Tatil.

São dois escritórios que incentivam muito o pouco no muito. E que vem obtendo grande sucesso em seus projetos.

Grande abraço a todos.

Vinícius Silva - 07.01.2011

E destaco também o que o Rogério Fratin disse com relação ao estudo deles.
Na minha opinião o que eles fizeram foi uma Re-ilustração das embalagens, pois, nada foi modificado no formato das mesmas.

Abraço

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