Por Tennyson Pinheiro*
O que a reintegração de pessoas à sociedade e ao mercado de trabalho, novas estratégias de contratação, capacitação e motivação de funcionários em um centro de wellness de luxo e o mapeamento de hábitos e comportamentos do turista para um melhor planejamento dos investimentos de uma cidade podem ter a ver com Design?
Se você respondeu “nada”, esse é um bom momento para repensar o seu conceito de Design, pois ele tem sido utilizado em diversos paÃses, inclusive no Brasil, para resolver problemas complicados através da criação de soluções inovadoras e que já nascem mais adaptadas à vida das pessoas.
O design em referência aqui não é o design centrado na estética, mas sim o design centrado no ser humano, ou, como é mais conhecido, o Design Thinking.
O Design Thinking é uma abordagem para problemas complexos focada no uso da criatividade e da empatia, e que incentiva a participação de usuários finais na criação de soluções que já nascem mais adaptadas e, por isso, possuem maiores Ãndices de adoção e maior potencial de serem catapultadas ao patamar de inovação.
A importância do Design Thinking na alavancagem de inovações pode ser explicada através do entendimento dos fatores que compõem na prática uma inovação. Uma inovação não é o mesmo que uma invenção e está longe de ser apenas uma novidade. O termo inovação faz referência a soluções que impactam a vida das pessoas, ajudando as mesmas a viverem melhor e a resolverem os problemas complicados que estão presentes em seu dia a dia. Inovação é sobre o valor percebido.
Um bom exemplo disso é o iPad, tablet recém-lançado pela Apple. Apesar de todas as crÃticas que, em sua maioria, focaram nos aspectos técnicos do produto, o iPad vem causando grandes transformações na maneira como as pessoas se relacionam umas com as outras e interagem com sistemas.
O fato do gadget, tão cobiçado, parecer um iPhone gigante fica pequeno quando ouvimos repercutirem estórias de como o aparelho tem ajudado no relacionamento de pais ausentes com seus filhos ou na reintegração de idosos com problemas de vista e mobilidade à sociedade através de seu acesso intuitivo à ferramentas como e-mails e redes sociais.
Casos como o do iPad nos permitem evidenciar a diferença entre algo avançado tecnologicamente e algo inovador. Aquilo que é inovador transforma a vida das pessoas, adicionando valores que não estavam presentes antes do produto ou serviço em questão existir.
O Design Thinking serve, então, como base para fomentar a empatia e criar uma plataforma de troca entre a equipe de projeto e os usuários finais, permitindo dessa maneira que barreiras de uso sejam descobertas logo cedo e solucionadas, diminuindo assim os riscos de fracasso, minimizando resistências e eliminando custos desnecessários de implementação.
Esse conceito pode ser amplamente aplicado e não está limitado a designers. A sua utilização tem potencializado resultados em projetos para empresas, governos e ONGs nas mais diversas áreas e setores da economia.
Os casos citados no inÃcio deste artigo são uma prova disso e caracterizam projetos recentes realizados pela Livework, consultoria global de Inovação e pioneira em aplicar o Design Thinking para construir modelos de serviços inovadores. A empresa desenvolve há 10 anos estratégias de serviços para marcas como Johnson & Johnson, Tesco e Emirates e seu foco está em ajudar empresas a empregar a empatia e a criatividade em processos internos e externos para torná-los mais desejáveis, sustentáveis e rentáveis.
Ref: http://www.livework.co.uk
(*) O titulo faz alusão aos primórdios da concepção do termo Design Thinking, que no inÃcio era chamado de “design com ‘d minúsculo”.
(**) Tennyson Pinheiro é co-fundador e professor do curso de Design Thinking, da ESPM, e diretor da live|work para o Brasil.













Comentários
Número de comentários: 13Desculpe, mas é no mÃnimo engraçado ou curioso você fazer toda essa explanação sobre DT e dar um exemplo que é justamente um contra exemplo da coisa. Um exemplo que vem de uma empresa que assumidamente se lixa para pesquisa, para os usuários e o famoso DCU. Só uma provinha disso são todos os problemas graves que os produtos de tal empresa apresentam pela pressa mercadológica de colocar um produto mau acabado de forma prematura no mercado e quem leva a pior é quem? Hora, hora, o foco do DT, razão do seu texto, as pessoas. Na real, seu exemplo só serviu para mostrar que DT pode não ser tão importante assim. Que é perfeitamente possÃvel pensar em produtos sem fazer qualquer pesquisa, ouvir as pessoas que vão usar tal produto, ou trabalhar de forma colaborativa, e mesmo assim fazer de tais produtos, cases de inovação, que coincidentemente é a grande promessa do DT. Já decidi, não é nem curioso nem engraçado, é contraditório.
Marcelo, você não foi muito feliz na sua colocação. Você deve ter lido o texto inicialmente a contragosto buscando alguma brecha para a crÃtica. Quando o Tennyson fala sobre o iPad ele está relacionando-o com a inovação e não com o DT, o DT pode te levar a inovação e ele usou o iPad como exemplo de inovação, o impacto que ele está causando na vida de algumas pessoas. Meu caro, isso confirma a tese de que nós brasileiros não sabemos ler. Releia o texto veja se o que eu digo faz sentido. Abraços.
Sérgio, perceba que nem você e muito menos o Tennyson, se prestaram a derrubar meu argumento, que para vocês pareceu apenas intriga e insatisfação com uma marca. Veja o tÃtulo do texto e seu conteúdo. Eles falam obviamente de DT. Muito bem, na hora de exemplificar, o autor cita um produto que não foi gerido com as práticas e pensamentos do DT, como exemplo do que acaba de explicar. O que você diz, faz sim sentido, o exemplo seria de inovação, não de DT. Pois bem, se o texto é, claramente, de DT, o que tal exemplo que “está relacionando-o com a inovação e não com o DT” está fazendo aqui? Parece que eu li até de mais, e você é que só se preocupou em responder pelo autor, porque ele mesmo, nem se preocupou em faze-lo.
Marcelo,
O Sérgio está correto quando ele afirma que não relacionei as duas coisas. iPad é um excelente exemplo de inovação incremental que transformou de forma abrupta a vida das pessoas. Um ótimo exemplo do porque a discussão ruptura e incremental não tem peso para o valor percebido de qualquer inovação. Esse é o ponto ali.
Porém, já que você mencionou o fato, tem algumas coisas que acho interessante que saiba sobre o iPad.
O primeiro ponto é sobre a sua certeza de que não há Design Thinking no iPad pelo simples fato de Jobs (não a Apple, como você diz) ter afirmado que não “Pergunta para as pessoas o que elas querem” (e não que “Não faz pesquisa centrada no ser humano”, outro erro da sua colocação).
Ford uma vez disse: “Se eu tivesse perguntado para as pessoas o que elas queria, elas diriam cavalos mais rápidos”.
Realmente a Apple não pergunta para as pessoas o que elas querem. E as intensas pesquisas com usuários que desenvolve constantemente, em formato de pequenos grupos em Cupertino e até de crowdsourcing para os OS dos portáteis, nada tem a ver com perguntar para as pessoas o que elas querem.
Já estive algumas vezes na sede Apple (a última vez a 1 mês atrás), tenho diversos amigos que trabalham lá, alguns na equipe do iPad, e eu posso te garantir que é uma das empresas mais focadas no Design Thinking como cultura que conheço.
O segundo ponto, é um erro achar que para “utilizar’ Design Thinking você precisa se engajar em todos os pilares do mesmo, empresas utilizam o que faz sentido para elas. No caso da Apple, ela executa bem todos os pilares.
E o terceiro e último ponto (nesse caso o meu preferido), sim a Apple faz pesquisa de campo, e pesquisas de profundidade. E a afirmação do Steve Jobs refletiu uma derivação da frase de Ford. Pois ele como bom Design Thinker sabe que perguntar para as pessoas o que elas querem não é Design Thinking. E como bom marketeiro sabe que uma boa frase de efeito, deixa as pessoas por anos comentando sobre ela.
Acho excelente a discussão, você levantou um ponto riquÃssimo e me permitiu explicar para outros leitores a confusão que essa afirmação lá atrás de Jobs gerou em relação ao envolvimento da Apple com o DT.
Mas voltando ao inÃcio, de qualquer maneira, realmente o Sérgio acima está correto, o texto não relaciona o iPad com Design Thinking.
E você está errado ao afirmar que a Apple não funciona com uma cultura de Design Thinking.
E errado uma segunda vez quando afirma que as falhas de lançamento de um produto estariam ou não relacionadas com isso.
E errado uma terceira vez quando afirma que o que S.Jobs falou sobre a pesquisa com usuários. Quando ele estava de fato criticando Focus Groups.
E uma quarta vez, quando achou que eu não iria responder.
Um abraço,
Tennyson
Tenho que concordar com o Marcelo. Quem não conhece o processo projetual da Apple, provavelmente vai ler o texto e entender o iPad como resultado do DT. A busca por uma solução inovadora é uma das bases de qualquer processo projetual, seja ele centrado no usuário ou não.
Mas não sou contra as caracterÃsticas do processo projetual que está sendo chamado de DT. Só temos que tomar cuidado para não achar que todos os problemas projetuais conseguem ser resolvidos pelo DT. Cada situação é única e os profissionais devem adaptar o processo e métodos utilizados de acordo com a necessidade do projeto.
Para quem tem interesse sobre o assunto recomento o livro “Thoughtful Interaction Design”, que propõe o processo projetual reflexivo.
Finalmente Tennyson!
Acho que você tem um grave problema de sempre pensar que as crÃticas são relacionadas a você, o autor.
Estou falando do seu texto, de como você o construiu. Particularmente, não me interessa saber se você tem ou não amigos e onde eles trabalham. Se você viaja ou deixa de viajar. Se o que eu disse te faz ficar tão excitado ou atordoado, quem sabe não estou tão 4 vezes errado assim, afinal seria o mesmo que pedir para o dono da feira confessar que seu mamão está podre.
Outro problema seu é tentar imaginar que as razões das minhas crÃticas sejam motivos apropriados para o seu próprio argumento. Em nenhum momento me referi a falas de Jobs sobre focus grous, e francamente isso pouco me interessa. O que me interessa são fatos. E os fatos são que os produtos da empresa (e não estou falando só do iphone 4, mas do próprio ipad) entram no mercado com problemas, o que demonstra, que no mÃnimo tem alguma coisa errada com essa preocupação com as pessoas da Apple não? Segundo, não há qualquer preocupação com a humanidade, ou seja, pouco importa o bem estar do planeta e a sustentabilidade. E para você, outra vez não subestimar o que eu falo (que é outro problema que você devia trabalhar), isso envolve o próprio processo de design da escolha de materiais, quanto ações estratégicas como deixar claro o seu posicionamento de: “tenham sempre o novo, todo ano lançamos o novo, o velho? Jogue fora.”.
Outra coisa importante, como você bem deve saber, não sou eu o pai de tais crÃticas (http://www.90percentofeverything.com/2010/06/08/design-thinking-is-a-nonsensical-phrase-that-deserves-to-die-%E2%80%93-don-norman/). E acho que esse é o ponto a ser discutido e não razões inventadas e subestimações bobas.
Tirando isso, há alguns pontos que achei interessantÃssimos nas suas colocações. Você diz que não é preciso seguir todos os pilares de DT para se fazer algo que seja amparado em DT. Hora hora, então é fácil de mais fazer DT, porque você pode desvirtuar totalmente sua base conceitual e porque não filosófica, usar algumas de suas ferramentas, se dar bem e ainda levar a fama por ser um “design thinker” (que por sua própria explicação sobre DT não ser uma metodologia e etc., tal nome, ou cargo, ou sei lá, é no mÃnimo equivocado). Desculpa ai mas acho que o titio Tim Brown pensou um pouquinho diferente disso, na hora de sistematizar (e não criar) essa história toda com a sua trupe.
Eu nem vou entrar no mérito de questionar suas colocações sobre achar que eu estava sendo inocente em meramente não saber direito a diversidade de métodos e técnicas de pesquisa. Desculpa, mas explicar o feijão com arroz do que o Ford disse e blablabla, pode funcionar em palestra ou com seus alunos, mas eu francamente quero mais que isso de você.
Dois abraços,
Marcelo,
Entendo a sua visão. Acho que você tem um ponto interessante.
Mas, para deixar claro, sua visão não é a mesma que D. Norman expressa nesse post que você linkou e não concordo com a sua visão. Faz parte!
Mas estou sempre a disposição para o que precisar e para de forma construtiva encontrarmos um caminho para aprendermos juntos.
Tem sido espetacular trocar idéias e conceitos sobre design thinking com tantas pessoas, ainda essa semana aqui na live|work encerramos um workshop com participantes vindos de todo o Brasil, trazendo visões e pontos de vista para a mesa.
Será um prazer batermos um papo no futuro. Meus contatos estão no post.
Um abraço!
Tennyson
Ô se faz! Mas se você acha que só vale a pena discutir isso com quem está em um contexto onde as funções de oráculo e aprendiz estão muito bem estabelecidas, eu entendo perfeitamente. Depois do seu post e das suas respostas, faz todo o sentido.
Quando você menos esperar, nada acontece, ou fica para a próxima.
Marcelo, essa discussão foi bem interessante. Você me fez recordar dos trolls que populavam os foruns de tecnologia, tinhamos que tomar todo o cuidado para não alimentá-los. Mas é isso, os trolls e seus seguidores ainda existem! Viva!
O interessante é que me definir como troll ou um idiota qualquer de redes sociais, simplesmente conforta vocês.
E o engraçado é que bastou que eu fizesse alguns questionamentos inocentes para desestabilizar vocês. Para deixa-los nervosinhos, xingando no twitter e tratando de parar a discussão, como se ela não valesse a pena com quem refuta seus argumentos, apenas com quem os aceita passivamente.
Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer né? Toda ação gera uma reação.
Na verdade não Marcelo, todos os seus comentários além de mal fundamentados foram claramente refutados nos posts acima. Só sobrou a sua falta de postura e educação que acho que o colega acima evidenciou muito bem.
Realmente é lamentável a presença de usuários como você aqui em nosso querido portal da abcdesign, além de não agregar em nada com argumentos superficiais e fúteis, atrapalham a troca de conteudo entre os participantes. Shame on you!
Design Thinking para mim é algo ainda muito abstrato, nao estou plenamente convencido do potencial disso, mas estou estudando. Enfim, mas tambem acho que a discussao aqui realmente poderia ter sido mais construtiva sem os constantes xiliques desse Marcelo. Paz e amor pessoal, toda discussao é valida e ninguem é dono da razao.
Nossa, pesquisando sobre DT e vejo os comentários e sinceramente não sei se é mais patético o marcelo fonseca desmoralizando o autor, ou a trupe tentando proteger seu rei. sinceramente parece briga de adolescente quando um fala que o jacob é mais legal que o edward, ou que a sandy canta mehor que a wanessa camargo. Senti vergonha alheia por vocês. Depois de chamar uns aos outros de trolls , só posso dizer que vocês precisam tomar sol e dar uma volta na praia. shame of all.