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Calma Mr. Hyde

Apesar de calmo e avesso a brigas, já desci a lenha em muitos assuntos nesta coluna. Talvez aqui neste espaço eu encontre a minha metade de Mr. Hyde e me transforme numa besta descontrolada. Para não perder o costume, vou espernear mais um pouco.

A vítima do momento será o branding. Minha queixa não é com relação à expressão em si, mas com o uso negligente que o mercado tem feito dela. Branding pra cá, branding pra lá, os profissionais da área de comunicação e marketing adoram novos termos, novas expressões que, muitas vezes, ajuda-os a encobrir sua falta de informação e competência.

Ouço muito empresas de design falando que fazem branding. Será que fazem mesmo? No fim acaba ficando uma conversa de surdos-mudos. O estúdio fala que faz branding e o cliente acredita, porque também não faz a menor ideia da complexidade e extensão do termo.

Mas afinal, qual o significado da polêmica e incompreendida expressão?

Segundo a professora e consultora em marcas Monica Sabino, “branding é um sistema de comunicação que deixa claro porque a marca importa.”, indo além, branding é a percepção do consumidor sobre um produto, um serviço, uma empresa, uma marca.

Olhemos para o mercado de aparelhos de mp3 ou celulares, repleto de excelentes opções a custos acessíveis. Mesmo assim, o sonho da maioria da população é ter um iPhone ou um iPod, com um custo mais elevado e sem necessariamente os melhores recursos tecnológicos. Eu quero um iPod, não um mp3. Eu desejo ter a marca, não o aparelho. Qual a explicação? Imagem percebida.

Branding é encontrar maneiras inteligentes e sustentáveis de atrair o consumidor para a sua marca e não sair no desespero laçando todo mundo por aí. Branding é desejo e emoção. Começa pelo design, sem sombra de dúvida, uma vez que o design é a tangibilidade da estratégia e do desejo. O fato é que não para por aí. O pessoal tem confundido criar marca e identidade corporativa com fazer branding. PelamordeDeus, não! Papelaria e fachada não chegam a representar 0,001% do que o termo propõem.

O sistema de gestão de branding envolve as plataformas da marca (missão, visão, valores, personalidade, promessa, posicionamento), a identidade da marca (nome, desenho, identidade), arquitetura de marca e comunicação corporativa. Traduzindo: não existem muitas empresas no Brasil capazes de fazer branding de qualidade. Por quê? Porque é difícil para caramba e envolve uma equipe multidisciplinar de primeira linha.

Peço encarecidamente a vocês amigos designers que fiquem atentos ao mal-uso da expressão. Pode até ficar bonito colocar “branding” embaixo da marca, no cartão de visitas e no site, mas caso sua empresa adote esse termo, reflita se você realmente entrega a promessa que faz. Afinal, isso é branding.


Comentários

3 Respostas to “Calma Mr. Hyde”

Alexandre - 26.11.2009

Olá Zé Henrique. Gostei do seu artigo, até porque eu gosto muito de branding. Eu só acho que esta sua frase está um pouco equivocada:

“Começa pelo design, sem sombra de dúvida, uma vez que o design é a tangibilidade da estratégia e do desejo.”

Eu acho que não começa pelo design, acho que começa justamente pela Estratégia. Para fazer o design de uma marca (ou produto… o que seja) é preciso de se conheça muito bem o público-alvo, as tendências, o que é moda, o que está na cabeça das pessoas, pra aí então colocar toda essa estratégia no design.

Assim, é só o que eu acho e, se eu estiver errado, me desculpe! =)

Abraços e parabéns.

Nilton - 26.11.2009

Pois Zé Henrique, concordo com você, eu nem gosto de usar o termo branding com meus clientes, muitos não entendem e acham que é só mais um nome para encarecer meu trabalho, ninguém sabe o trabalho que temos de entender o psicológico e os sentimentos da empresa sem nunca ter tido contato com ela, e termos que expressar isso em imagem e expressão, isso é o que nos torna Designer, abçs

Orlando Simões - 01.11.2010

Excelente texto Zé Henrique.

Branding, eis aí um termo que não me atrevo a usar. Priemiro pelos motivos que você bem colocou no texto, segundo porque o brandign, minusculo mesmo, já caiu no jargão de áreas duversas e de profissionais afeitos aos modismos de acrescentar ao cartão de visita toda noviade que surge na área do Deisgn.

Toda vez que surge uma variação, variante ou novidade que seja metade do mundo adere ao processo se entitulando conhecedores a fundo daquilo apenas porque está surgindo ou caiu na malha rasteira dos modismos.

É triste ver as pessoas se apossando de campos dos quais não tem nem o conheimento básico. Branding é algo que não domino e exatamente por isso respeito e muito os que trabalham com ele. Usar o termo banaliza a competência dos poucos profissionais de Brandig atuantes hoje. Banaliza pelo fato de que há sim gente dizendo que faz e entregando apenas uma outra coisa como o Zé frisou no artigo.

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